O seguro e a sociedade: uma mudança puxa a outra.

*Wady Cury, Head de Insurance Solutions da Agrotools.

Em 21 de novembro 2019, o Decreto-lei n° 73/66, principal diploma legal regente das operações de seguros e resseguros no Brasil, completou 53 anos. A fiscalização das companhias securitárias, que até então ficava a cargo do Departamento Nacional de Seguros Privados e Capitalização, vinculado ao Ministro da Fazenda, passou a ser responsabilidade da SUSEP, autarquia criada especialmente para esse fim.

Da criação do Decreto-lei para cá tudo mudou. Com o avanço das tecnologias, passamos a viver em um mundo extremamente ágil, globalizado e sem fronteiras. Não há mais mercados isolados. As evoluções tecnológicas, que antes aconteciam de maneira gradual, hoje ocorrem em ritmo cada vez mais veloz e considera-se ótimo o que é mais instantâneo.

O fenômeno da globalização, intensificado a partir da década de 1990, criou uma nova dinâmica para a vida no mundo. Diante da complexidade desse ambiente, que exige inovação e adaptação contínua, as empresas perceberam que investir em tecnologia e no aperfeiçoamento de seus processos internos e na eficiência operacional é fundamental para se manterem competitivas e vivas. Hoje, todos buscam essa visão global e ampla sobre as novas tecnologias e, principalmente, os novos hábitos de consumo moderno.

No mesmo ritmo de outros setores da economia, a atividade securitária também se depara com novos desafios decorrentes destas transformações. As necessidades de proteção estão cada vez mais complexas, exigindo das seguradoras coberturas que seriam impensáveis há 53 anos.

Do tripé tradicional de bens seguráveis (carro, casa e vida), as seguradoras tiveram que se adaptar às novas demandas da sociedade, desenvolvendo garantias para as mais variadas necessidades: cyber risks, variações climáticas, satélites, riscos políticos, contaminação ambiental; riscos epidêmicos; etc.

Muito além da discussão sobre a atualização e a modernização do Decreto-lei n° 73e do Código Civil existem diversos aspectos que também precisam ser considerados: diante da transformação digital, como promover mudanças? Como garantir que a lei ficará atualizada? Como e qual o novo olhar devemos ter sobre o segmento de seguros? É fundamental compreender que o seguro mudou, a tecnologia mudou, a sociedade mudou. Portanto, não podemos mais ficar apegados a conceitos fossilizados. Precisamos quebrá-los.

O seguro só existe porque existe o risco e não existe proteção sem a possibilidade de danos. Na necessidade contemporânea, o correto não é mais linkar o seguro à propriedade, mas sim a quem recai a responsabilidade pelo legítimo interesse segurado.

Vamos usar o exemplo do automóvel autônomo (propriedade), que anda sozinho pelas ruas, sem intervenção do motorista. O dia em que o carro autônomo for uma realidade mais presente em nosso dia a dia, o seguro de automóvel vai acabar? Não. Porque o risco continuará existindo. O que vai mudar é a relação de responsabilidade por esse risco, sobre o legítimo interesse segurado ou sobre as consequências dos riscos.

Um carro autônomo deve evitar, a princípio, que haja qualquer tipo de acidente porque foi desenvolvido para isso. Nesse caso, quem será o responsável pelo dano? O fabricante ou fornecedor do serviço (proprietário), porque o risco continua existindo, só que de forma diferente. Os danos causados aos ocupantes ou terceiros passam a ser de responsabilidade do proprietário (montadora ou prestadora do serviço), uma vez que eles, de forma conjunta ou isolada, têm o dever de levar os passageiros em segurança até os seus destinos, uma vez que a condução do veículo não será mais uma responsabilidade dos ocupantes. Mas, mesmo assim, há outros riscos existentes: roubo, alagamento, colisão, acidente. E, se há risco, há um dano e, havendo dano, há perdas.

Portanto, o risco nunca vai deixar de existir. Ele apenas vai se transformar. O segurador deve olhar não apenas para os riscos que já conhece, mas adotar a precaução de olhar para os riscos que passem a existir. Olhar bem na frente, acompanhar a tecnologia, pois, na verdade, somos gestores de riscos silenciosos.

Essa transformação da sociedade é muito rápida. Veja o exemplo das insurtechs, que chegaram para revolucionar o mercado, fazendo indenização em cinco minutos. Assim como as fintechs inovaram na atividade bancária com a virtualização da moeda, as insurtechs, equivalentes securitárias, modificarão definitivamente a forma de interação entre seguradoras e segurados. E como elas fazem isso? Utilizando ferramentas de alta tecnologia para solucionar problemas e criar novas possibilidades. Mas existe a necessidade eminente desta tecnologia ser ágil, mas também simples e espontânea. Como fazer isso e quebrar paradigmas? Com inovação.

E inovação é a proposta da Agrotools, líder global na criação de soluções digitais para o mundo corporativo do agronegócio. Foi pensando em variantes, como o risco imperceptível e indetectável para quem se relaciona com as atividades do campo, que a Agrotools antecipou o futuro e desenvolveu ferramentas digitais acessíveis, baseadas em tecnologias proprietárias, criadas exclusivamente para dar suporte às transações no agronegócio, sendo o “olhar biônico” das empresas para dentro das propriedades rurais, entregando informações precisas e de qualidade para que seguradoras e agentes financeiros consigam se debruçar sobre dados precisos e propor os melhores negócios, atendendo aos dois elos da cadeia.

Com mais de dez anos de atividades, a Agrotools antecipou as necessidades dos players do agronegócio. Porque não se constrói o futuro com a mente “no” e “do” presente. O desafio de uma gestão inovadora é estar com um olho no telescópio e outro no microscópio, entendendo e atendendo às demandas do mercado no qual se atua.

*Wady Cury foi porta-voz e presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), diretor geral do Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre e é o novo head de Insurance Solutions da Agrotools.

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