Agronegócio seguro: tecnologia a serviço do controle de riscos para quem respalda as atividades no campo.

“A agricultura é a arte de saber esperar.” Riccardo Bocchelli, pensador italiano

“A gestão dos riscos e o seguro agrícola são a arte de saber tranquilizar a espera.” Wady Cury, head de seguros Agrotools

*Por Wady Cury

De acordo com dados do Ministério da Agricultura, divulgados em outubro deste ano, apenas 6% das lavouras do Brasil foram asseguradas em 2018 pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural – PSR e, dessas, 80% estão na região Sul e no interior de São Paulo. Já no Espírito Santo, menos de 0,5% das plantações têm algum tipo de apólice. Esses números nos dão uma ideia da quantidade de hectares produtivos completamente desprotegidos país a fora.

Mas, apesar disso, estamos avançando: o seguro rural, nos moldes atuais, começou há 13 anos, com a aprovação da lei de subvenção ao prêmio. Em 2006, tínhamos 1,5 milhão de hectares segurados. Em junho, o Governo anunciou que espera mais que dobrar a área coberta por seguro rural no país, passando dos 6,9 milhões de hectares, deste ano, para 15,6 milhões, em 2020. No anúncio do Plano Safra, em junho, os órgãos federais confirmaram que o valor a ser usado para custear o seguro passou de R$ 440 milhões, em 2019, para R$ 1 bilhão previsto pelo Projeto de Lei Orçamento Anual (PLOA) de 2020.

Portanto, como previsto no inciso quinto do artigo 187 da Constituição Federal, pode-se afirmar que o seguro agrícola começa a se consolidar como instrumento de Política Agrícola em um universo promissor. Porém, a falta de adesão aos programas de seguro rural está longe de ser uma negligência ou uma ação kamikaze dos produtores. A resposta para a disparidade entre a quantidade de propriedades produtivas e o apagão dos seguros está nos custos de contratação do serviço, uma vez que o medo de perdas é real e preocupa enormemente o homem do campo: problemas climáticos, pragas e queda de preços são as verdadeiras assombrações rurais.

Do outro lado do balcão, a mesma insegurança é compartilhada pelas empresas aptas a assegurar o agro. E elas ainda precisam de outras respostas: quem é esse produtor? Onde e o que está plantando/criando? Quais condições de manejo? Que tipo de técnica e de mão de obra está utilizando? Qual a sua produtividade histórica? A falta de retorno para essas perguntas básicas, de forma automática e sistematizada, aumenta a percepção dos riscos pelas companhias seguradoras e a conta é simples e se aplica a qualquer interesse segurado: ou os riscos não são aceitos pelas seguradoras ou, quando aceitos sem as informações básicas necessárias, as taxas podem ser elevadas. No entanto, taxa não corrige risco, gestão e informação sim.

A quebra desse círculo vicioso está na tecnologia. Tanto para financiar como para assegurar o agronegócio, os agentes precisam de informações, saber o que acontece dentro das propriedades. A quem, afinal, estão se vinculando? E é improvável mensurar, de forma simples e objetiva, o risco sem o uso de tecnologias que sintetizem esses dados e os transformem em conhecimento prático.

A agtech Agrotools, líder global na criação de soluções digitais para o mundo corporativo do agronegócio, tem o papel de conectar os dois elos dessa corrente, oferecendo ferramentas que trazem as respostas requeridas pelas empresas que financiam e asseguram o agro, contribuindo para a mitigação de riscos e consequente flexibilização dos termos e condições das apólices e dos contratos de financiamentos. E esse é o caminho para disseminar o agrosseguro no país, tão valioso para o produtor rural quanto uma boa semente, uma boa técnica e peça fundamental para manter a propriedade em produção, diminuindo as chances de os produtores abandonarem ou diminuírem seus negócios depois de uma safra ruim, por exemplo. Esta é a razão do seguro agrícola, no mundo e no Brasil, ser considerando um dos principais instrumentos de Política Agrícola, pois ele é intrínseco para a Segurança Alimentar do Planeta.

Há mais de dez anos a Agrotools é peça-chave para esse relacionamento com o extenso mapa do agronegócio e para o crescimento do seguro rural no Brasil. E é com orgulho que, diante desse cenário promissor, passo a integrar este time, trazendo para a companhia minha experiência prática e acadêmica junto ao segmento de seguros, em especial o seguro agrícola.

Juntos, vamos seguir construindo uma nova realidade de saber tranquilizar a espera, com maior gestão de riscos, abrindo as porteiras do agronegócio para uma relação sustentável com o mercado de seguros, beneficiando toda a cadeia e ajustando o país rumo à agricultura e pecuária 4.0.

*Wady Cury foi porta-voz e presidente da Comissão de Seguro Rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), diretor geral do Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre e é o novo Head de Insurance Solutions da Agrotools.

 

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