Big Brother no agronegócio

A falta de dados intimida a oferta de produtos das seguradoras e resseguradoras

Existe um negócio de mais de R$ 7 bilhões esperando por um dono. Trata-se do mercado de seguros agrícolas que, no Brasil, garante menos de 15% do território, o equivalente a R$ 1,6 bilhão, segundo pesquisa da Susep. A pequenês dessa abrangência se explica: ainda há um apagão de informação no agronegócio brasileiro, fazendo com que o plantar e colher se torne uma atividade de risco tanto para o produtor como para as instituições que se relacionam comercialmente com ele.

A falta de dados intimida a oferta de produtos das seguradoras e resseguradoras e limita o crédito no setor. Nos Estados Unidos, onde a era digital garante informações qualitativas às companhias, o seguro rural abrange acima de 85% das terras cultivadas. O uso da tecnologia no Brasil também é a chave para que as empresas alcancem esse patamar e usufruam de uma margem que, portanto, chegaria a R$ 7,4 bilhões.

Não é por falta de riscos eminentes que os agricultores deixam de buscar proteção por aqui: um estudo realizado pelo Grupo Segurador Banco do Brasil e Mapfre mostra que os efeitos climáticos que impactam a produção agrícola passam longe de serem desprezíveis: a seca responde por 60% dos sinistros históricos; a chuva excessiva, por 20% e as geadas, por 8%. Além disso, o produtor rural vive um desamparo à mercê do microclima de sua região, pouco considerado na média nacional, mas com efeitos catastróficos na produção local.

Mesmo sem os ventos a favor, o segmento opera milagres: o agronegócio brasileiro é o segundo do mundo, perdendo em volume, mas não em competitividade, apenas para os Estados Unidos, uma vez que, nas últimas décadas, vem ganhando market share e gerando lucro. Em 2017, respondeu por 26% do PIB e exportou mais de US$ 96 bilhões.

Em contraste com essa agricultura competitiva, os setores de crédito e de seguro sofrem uma série de dificuldades na obtenção de informações e documentos, seja da propriedade agrícola, seja das obrigações comerciais e financeiras do produtor.

Esses percalços têm como consequência o encarecimento das operações e uma piora considerável dos riscos, dado o nível de insegurança jurídica e operacional. Custos e riscos maiores levam a preços mais altos e à consequente redução da demanda por produtos financeiros e de seguros.

A boa notícia é que a revolução digital já abriu as porteiras. Sensoriamento remoto do território por drones, imagens de satélite, recursos de localização e verificação qualitativa do solo estão disponíveis e de uso incentivado pelos gestores oficiais para fiscalização do crédito e do seguro rural. Porém, independente do estímulo de adoção pelos vetores regulatórios, os custos, a precisão e a eficiência das soluções digitais já são condutores suficientemente fortes para a integração da digitalização aos processos de análise e monitoramento de operações de risco, sejam elas empréstimos ou seguros agrícolas.

No processo convencional de concessão, monitoramento de operações de crédito e de seguros agrícolas há etapas muito trabalhosas, como a apuração documental da base de produção e da condição financeira de um cliente, seu histórico e seu nível de risco.

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